"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
31
Out 12
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28
Out 12
publicado por Moscardo, às 22:00link do post | comentar

   Barack Obama mostrou ser humano nos últimos anos, e não um milagreiro. Desiludiu muita gente que se ilude facilmente. Tendo herdado uma situação económica catastrófica e o resultado de uma série de políticas externas desastrosas, no período que o precedeu, conseguiu inverter o rumo. Colocou a economia em crescimento e a taxa de desemprego no nível mais baixo dos últimos anos (evitando precisamente medidas de austeridade que continuam a afundar países na União Europeia). A importância que atribui aos sectores da saúde e educação mostram-no como um estadista completo, com uma visão sólida do futuro. No imediato, a única surpresa é ter um adversário tão medíocre, ainda com a possibilidade de o vencer nas próximas eleições.


   A forte mas ponderada liderança de Obama, contrasta com a total ausência de uma, na UE. Aqui não se vislumbram melhorias a curto prazo, apenas convulsões sociais.


26
Out 12
publicado por Moscardo, às 00:30link do post | comentar

   Não pude deixar de pensar onde caminho e o que trago comigo...

Caminho na estrada do campo da bola, não como uma lembrança de outros tempos, como outra idade. Avanço devagar no presente, no presente absoluto, com a idade daquele instante, exatamente como se estivesse lá. Em tantos aspetos, eu ainda estou lá.

José Luís Peixoto


23
Out 12
publicado por Moscardo, às 23:30link do post | comentar

18
Out 12
publicado por Moscardo, às 22:00link do post | comentar

   Para Van Gogh, a arte não imita a vida. O inverso tão pouco acontece. Para Van Gogh, a arte é a vida. Duma perspectiva distante, talvez seja possível dizer que falhou tanto numa como foi bem sucedido na outra, tendo a pintura actuado como único elo à realidade. Nos seus quadros, a natureza adquire um outro significado: o belo conjuga-se com o perturbador através de linhas vincadas e abstracções na cor. Toda a realização, desespero, devoção e angústia estão presentes: nos contornos dinâmicos, traçado sulcado e devaneio cromático, que tudo ilumina. Acabou por criar o mundo que conhecia, numa espécie de pré-expressionismo. 

"Experimento uma terrível clareza em momentos em que a natureza é tão linda. Perco a consciência de mim e os quadros vêm como um sonho" 

   Ao ler sobre o pintor, não se percebe se enlouqueceu da solidão, ou se ficou só após enlouquecer. Percebe-se que ansiou pelo reconhecimento de pares e sociedade, acabando por não ter nenhum. A Vinha Vermelha terá sido o único quadro vendido em vida.

 

 


14
Out 12
publicado por Moscardo, às 15:00link do post | comentar


   A atribuição do Nobel da Paz à União Europeia vem reconhecer méritos passados, a luta pela liberdade, democracia, harmonia entre os povos europeus e doutros continentes. Vem também relembrar a responsabilidade que tem perante o mundo, numa altura em que se debate internamente, com a sua maior crise de sempre, e onde líderes irresponsáveis vociferam barbaridades que nada têm a ver com o espírito da criação desta comunidade. As Memórias de Jean Monnet são inspiradoras, quanto mais não seja pelo esforço exaustivo a que se propôs pela união entre nações, com um ideal tão nobre. Não estamos a coligar Estados, estamos a unir homens.

 

 

   No final escreve, num texto que seria perfeito para a cerimónia de entrega do prémio Nobel: 

   Mas o tempo passa e a Europa está a marcar passo no caminho por onde já avançou profundamente... Não podemos deter-nos quando à volta de nós o mundo inteiro está em movimento. Será que fiz compreender suficientemente que a Comunidade que criámos não é um fim em si mesma? A Comunidade é um processo de transformação que dá continuação àquele de onde resultaram as nossas formas de vida nacionais ao longo de uma fase anterior da história. Tal como no passado, as nossas províncias, hoje os nossos povos têm de aprender a viver conjuntamente, com regras e instituições comuns livremente aceites, se é que pretendem atingir as dimensões necessárias ao seu progresso e conservar o controlo do seu destino. As nações soberanas do passado já não são o quadro onde os problemas do presente podem resolver-se. E a própria Comunidade não é mais do que uma etapa em direcção a formas de organização do mundo de amanhã.



10
Out 12
publicado por Moscardo, às 22:00link do post | comentar
   Com Chekhov, o motivo deixa de ser o grandioso e o sublime para passar a ser o trivial. O drama do homem comum é o foco da narrativa: a ignorância, a miséria, a humildade, a ingenuidade, o absurdo da condição humana. Tudo em paralelo com uma época de revolução ideológica, onde as velhas convenções e estruturas sociais se diluem. E o conto ganha uma nova dimensão.








   Em Tristeza, é cruamente expressa a individualidade, indiferença e egoísmo do modo de vida citadino:


Depois de meter ao bolso os vinte kopecks, Jonas ficou-se durante muito tempo a seguir com os olhos os três pândegos que desapareceram num portal escuro. Ei-lo de novo solitário. O silêncio apoderou-se dele mais uma vez. A sua nostalgia, que por um instante o abandonara, surgiu de novo e oprimiu-lhe o peito com dobrada violência. O seu olhar perturbou-se e, angustiado, percorreu a multidão de peões que atravessavam constantemente a calçada de um lado para o outro: entre aqueles milhares de pessoas não haveria uma só capaz de o escutar? Mas a multidão apressava-se , não reparava nele nem na sua tristeza. Era uma tristeza imensa, que não tinha limites. Se o peito de Jonas rebentasse, deixando-o a expandir-se, por certo inundaria o mundo inteiro.


Chekhov, Contos Escolhidos

06
Out 12
publicado por Moscardo, às 00:00link do post | comentar

 

 


05
Out 12
publicado por Moscardo, às 23:30link do post | comentar

 

O homem torna-se Homem ao encarar a morte. E nasce a religião...

... esta consciência da mortalidade é, do mesmo modo, a coisa mais dolorosa e a mais perturbadora que jamais vivemos e devemos, portanto, encontrar-lhe uma explicação. Freud pensava - e eu concordo com ele neste ponto - que a religião é, em primeiro lugar, uma tentativa de dominar as consequências desta certeza. Ao ter ideias claras sobre o lado efémero da nossa existência, aproximamo-nos da verdadeira natureza humana.

Stephen Jay Gould, O Livro dos Saberes


02
Out 12
publicado por Moscardo, às 20:00link do post | comentar
   No brutal Tratado de Versalhes, os vencedores regozijam-se vergonhosamente com o espólio dos vencidos. Na obra As Consequências Económicas da Paz, de 1919, Keynes escreve:

A vida futura na Europa não lhes interessava; os respectivos meios de vida não eram o que os deixava mais ansiosos. As suas preocupações, tanto as boas como as más, diziam respeito a fronteiras e nacionalidades, ao equilíbrio de poder e ao engrandecimento dos impérios, ao futuro enfraquecimento de um inimigo forte e perigoso, à vingança e à deslocação por parte dos vencedores do insuportável peso financeiro para os ombros dos vencidos.

   O velho continente, que tantas guerras fomentou ao longo dos séculos, devia, hoje, ser um farol para a Humanidade. As circunstâncias mudaram, a falta de solidariedade mantém-se, e o futuro é uma incógnita.

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