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Delírio do Moscardo

"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto

Delírio do Moscardo

"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto

27.Abr.13

No Silêncio

 

Esta noite não acaba...

 

Em cada momento relembro,
Em cada momento olvido
Sinto os teus lábios, a tua pele na minha
Dor diluída em tempo
Brilho imbuído em sombra...

 

Pulas incerta em vagões de silêncio
Crepúsculo único de várias ilusões
Persigo os teus murmúrios sem cessar
Pois se na tua ausência sigo dormente...

 

Mas a ti nunca te encontro
Pois em ti própria tanto mudas
Deusa de mil desejos e rostos
Tanto és céu como lua fugidia...

 

Esta noite não acaba,

Esta noite não termina...

 

 

21.Abr.13

O Doente Imaginário

 

     Em O Doente Imaginário, a morte, o egoísmo e o dinheiro são os temas dominantes. Os médicos de Molière são desconcertantes. Pois o seu objectivo não é o de curar o paciente, mas sim actuar de acordo com as regras do ofício. Retrato actual da pequenez de pensamento que afecta os que mandam. Desde o seu universo muito particular.

 

MONSIEUR FLEURANT para Béralde - Por que se intromete nas prescrições da medicina, impedindo o senhor de levar o seu clister? É uma grande ousadia da sua parte!


BÉRALDE - Ora, senhor, vê-se bem que não está acostumado a falar com rostos.





01.Abr.13

Aparição

 

   Embora lamente este tipo de circo perpetrado por alguma comunicação social, a verdade é que José Sócrates vende, seja para ser exultado ou insultado. Este empolgamento não é só responsabilidade dos media: a ausência de uma oposição forte terá facilitado, em muito, a amplificação deste regresso. Mas que não haja dúvidas. O ex-primeiro-ministro é o grande responsável pela chegada do empréstimo externo, e apenas uma alma muito inocente pode acreditar que seria diferente, caso o PEC IV fosse aprovado. O seu governo foi o que mais contribuiu para a subida da dívida, sendo que, apesar deste aumento, insistia teimosamente em avançar com obras megalómanas (leia-se TGV, aeroporto...). Voltando à comunicação social, é extremamente suspeito o endeusamento que tem sido feito a Sócrates por parte de várias figuras públicas. Se é fácil reconhecer-lhe talento comunicativo, é igualmente simples reconhecer a banalidade do conteúdo, por mais inflamada que seja a retórica. Mas ao contrário do que muitos defendem, não me parece que haja défice democrático neste tipo de escolhas para comentadores. Haverá até excesso. Dantes considerava-se indispensável a presença de comentadores políticos isentos e distantes da luta política. Agora, esta moda dos políticos comentadores demonstra que os cidadãos (ou pelo menos os canais televisivos) estão dispostos a aceitar opiniões baseadas em tendências ideológicas baseadas em pseudo-factos. Bastante original.