"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
18
Fev 14
publicado por Moscardo, às 23:00link do post | comentar

 

    Tal como as grandes obras, os sentimentos profundos significam sempre mais do que aquilo que têm a consciência de dizer. A constância de um movimento ou de uma repulsa numa alma encontra-se nos hábitos de fazer ou de pensar, prossegue nas consequências que a própria alma ignora. Os grandes sentimentos passeiam consigo o seu universo, esplêndido ou miserável. Iluminam com a sua paixão um mundo exclusivo, onde reencontram o seu clima. Há um universo do ciúme, da ambição, do egoísmo ou da generosidade. Um universo quer dizer uma metafísica e uma atitude de espírito. O que é verdade em relação em sentimentos já especializados, mais ainda o será no tocante a emoções, na sua base tão indeterminadas - ao mesmo tempo tão confusas e tão "certas", tão longínquas e tão "presentes" - como as que nos proporciona o belo ou que suscita o absurdo.

 

Albert Camus, O Mito de Sísifo

 


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