"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
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Jan 14
publicado por Moscardo, às 23:00link do post | comentar

 

     Estando o assunto na ordem do dia, e tendo em tempos idos de estudante sido praxado, deixo alguma notas. As praxes não são, como alguns comentadores referem, puros actos de maldade e destruição. São simplesmente acções de "domínio hierárquico", um exercício de poder pela submissão que, quando perpetradas por alguns indivíduos néscios e falhados, têm tendência a ser extremadas. E isto é algo que pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer fase da sua vida (por exemplo, o bullying nas escolas ou no local de trabalho). De resto, se se reparar nos rostos dos jovens, é facilmente comprovável que ser praxado não é de todo assustador. É simplesmente entediante. Basta ver imagens do documentário Praxis, recentemente passado na RTP1. É um "tirem-me daqui, nem que seja para uma sala de aula" que se lê nas faces dos caloiros.
     Para finalizar, é importante abordar dois dos principais argumentos dos defensores das praxes. O primeiro é que ninguém é obrigado a colaborar. O que de facto é verdade. Ninguém tem de actuar. Mas se não o fizer... Digamos simplesmente que quem as faz deixa sempre subentendido ao aluno rebelde que poderá ter a vida negra ao longo do curso. Claro que a maioria acaba por aceitar para evitar chatices futuras. Segundo argumento: a praxe é um ritual integrador. Se é bastante discutível que actos de humilhação possam ser integradores, uma coisa é certa: o Homem é um animal social. Colocai dois lado a lado e vê-los-eis a interagir mais cedo ou mais tarde. É assim que tem sido ao longo de dezenas de milhares de anos. E sem necessidade de qualquer praxe. 

 


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