"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
30
Set 12
publicado por Moscardo, às 15:00link do post | comentar

 

   O Dr. Relvas e o consultor Borges foram discursar a um fórum no Algarve (iniciativa que, espero, não tenha afastado os turistas, nestes últimos dias de sol). O consultor foi recatado. Demasiado recatado. Limitou-se a passar um atestado de incompetência aos empresários portugueses, quando na realidade considera toda a sociedade imbecil. As gentes são ignorantes e um empecilho. Na sua concepção, há uma bipolarização necessária entre plebe e elite. A elite é uma classe composta por génios financeiros, à qual ele naturalmente pertence. Por outro lado, os plebeus devem acatar passivamente as teorias matemáticas perfeitas concebidas por estes deuses das finanças, de forma a ajustar, ao detalhe, cada indicador económico. Na sua universidade, não se perde tempo com pequenos pormenores como o bem estar das populações. Possivelmente, ensina-se que nem têm inteligência para argumentar seja o que for. Caso as magníficas teorias falhem, a população empobrece. Mas qual é o problema, se não é sequer dotada de raciocínio?


02
Set 12
publicado por Moscardo, às 20:00link do post | comentar

   Finda a manobra de diversão protagonizada pelo "consultor para as privatizações", é importante esclarecer algumas questões:

  • O serviço público de televisão deve ser assegurado por uma empresa pública. Atribuir a gestão desse serviço a uma empresa privada é, com grande probabilidade, torná-lo uma simples máquina de propaganda corporativa, que terá em vista apenas o factor receita; 
  • A proposta de concessão pode ser considerada inconstitucional; 
  • A questão da sustentabilidade económica não é credível, uma vez que o Plano de Sustentabilidade Económica-Financeira apresentado pela administração demissionária da RTP previa que, a partir de 2013, o Estado deixasse de subsidiar a empresa através da indemnização compensatória;
  • O pagamento de uma taxa do audiovisual para uma entidade privada é, no mínimo, obscena; 
  • A existência decana da RTP, se criticável nalgumas opções estruturais e de programação, teve um papel fundamental para a afirmação da democracia e divulgação cultural em Portugal e nas comunidades emigrantes; 
  • O Governo não pode, como é hábito, desculpar-se com o acordo estabelecido com a troika, uma vez que esta questão nem sequer foi abordada. Na verdade, sugere que este tema será importante apenas para o ministro adjunto e dos assuntos parlamentares.

 

   Resta aguardar a decisão do Governo, que num pequeno teste traiçoeiro, quis medir o quão fracturante é o tema, para agora tomar uma decisão sobre algo que desconhecia e continua a desconhecer.


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