"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
14
Out 12
publicado por Moscardo, às 15:00link do post | comentar


   A atribuição do Nobel da Paz à União Europeia vem reconhecer méritos passados, a luta pela liberdade, democracia, harmonia entre os povos europeus e doutros continentes. Vem também relembrar a responsabilidade que tem perante o mundo, numa altura em que se debate internamente, com a sua maior crise de sempre, e onde líderes irresponsáveis vociferam barbaridades que nada têm a ver com o espírito da criação desta comunidade. As Memórias de Jean Monnet são inspiradoras, quanto mais não seja pelo esforço exaustivo a que se propôs pela união entre nações, com um ideal tão nobre. Não estamos a coligar Estados, estamos a unir homens.

 

 

   No final escreve, num texto que seria perfeito para a cerimónia de entrega do prémio Nobel: 

   Mas o tempo passa e a Europa está a marcar passo no caminho por onde já avançou profundamente... Não podemos deter-nos quando à volta de nós o mundo inteiro está em movimento. Será que fiz compreender suficientemente que a Comunidade que criámos não é um fim em si mesma? A Comunidade é um processo de transformação que dá continuação àquele de onde resultaram as nossas formas de vida nacionais ao longo de uma fase anterior da história. Tal como no passado, as nossas províncias, hoje os nossos povos têm de aprender a viver conjuntamente, com regras e instituições comuns livremente aceites, se é que pretendem atingir as dimensões necessárias ao seu progresso e conservar o controlo do seu destino. As nações soberanas do passado já não são o quadro onde os problemas do presente podem resolver-se. E a própria Comunidade não é mais do que uma etapa em direcção a formas de organização do mundo de amanhã.



02
Out 12
publicado por Moscardo, às 20:00link do post | comentar
   No brutal Tratado de Versalhes, os vencedores regozijam-se vergonhosamente com o espólio dos vencidos. Na obra As Consequências Económicas da Paz, de 1919, Keynes escreve:

A vida futura na Europa não lhes interessava; os respectivos meios de vida não eram o que os deixava mais ansiosos. As suas preocupações, tanto as boas como as más, diziam respeito a fronteiras e nacionalidades, ao equilíbrio de poder e ao engrandecimento dos impérios, ao futuro enfraquecimento de um inimigo forte e perigoso, à vingança e à deslocação por parte dos vencedores do insuportável peso financeiro para os ombros dos vencidos.

   O velho continente, que tantas guerras fomentou ao longo dos séculos, devia, hoje, ser um farol para a Humanidade. As circunstâncias mudaram, a falta de solidariedade mantém-se, e o futuro é uma incógnita.

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