"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo." José Luís Peixoto
06
Jan 13
publicado por Moscardo, às 22:00link do post | comentar

 

     Num ano que se vaticina de empobrecimento social, luta política e recessão económica, há certos prognósticos que são certos. Seja em números de desemprego, défice ou dívida pública, apenas se espera o falhanço completo de previsões do governo. Será interessante perceber onde tentarão cortar (de novo) na despesa, depois de tal acontecer. A margem para aumento fiscal esgotou-se há algum tempo, e a reacção social pode tornar-se violenta, caso insistam na mesma solução. A inexistência de alternativas é tão desoladora, que não se vislumbra qualquer desejo popular na convocação de eleições antecipadas. Isto porque conhecemos os graves erros cometidos no passado, sabemos da severa responsabilidade do PS na corrente situação do país. Só este facto explica a continuação deste executivo em funções. No seu seio, a figura de Miguel Relvas é de importância vital, porque serve de escudo a Passos Coelho, porque chama a atenção pública em seu redor, desviando-a de questões importantes, que mereciam discussões aprofundadas. Este será continuamente desgastado até à sua substituição, tal como Vitor Gaspar, dando o governo a ilusão de uma face renovada para o exterior e talvez mais espaço de manobra. Infelizmente, nessa fase, já vários atentados terão sido feitos à economia, saúde e educação; danos que serão irreversíveis e deixarão marcas profundas durante décadas.

     Medidas como a taxação de transacções financeiras, cortes nas despesas do pessoal político, a possibilidade de compra de dívida pública por parte dos cidadãos vão sendo ignoradas. Por estupidez, ideologia ou vassalagem a poderosas instituições financeiras.


09
Nov 12
publicado por Moscardo, às 01:00link do post | comentar

 

   Ao ler um artigo ou ver uma reportagem, pergunto-me sempre: que interesses serve a pessoa que o concebeu? Como muitas outras áreas profissionais, o jornalismo está decadente. Tem sido destruído com o desgaste dos valores deontológicos, com a perda do rigor, da investigação, da objectividade, com a omissão de notícias que verdadeiramente interessam à população. Destrói-se despedindo profissionais competentes e contratando garotos que mal sabem escrever, e pouca preocupação têm com a veracidade dos factos. O triunfo da Internet, com todas as virtudes que apresenta, contém, simultaneamente, informação dispersa, distorcida e duvidosa, que muitas vezes serve de base a artigos noticiosos. Também é amplamente reconhecido, hoje, que qualquer orgão de imprensa pode servir sobretudo os interesses de grandes grupos económicos, qual oligarquia. A liberdade de imprensa torna-se então um conceito vago, ilusório e as próprias referências sociais e humanas que tínhamos e podíamos assumir como verdadeiras, esboroam-se aos nossos pés. A destruição deste suporte cultural é perigoso para a nossa construção, enquanto seres pensantes, precisamente porque prejudica o caminho do conhecimento, tornando-nos acríticos ou, em alternativa, sem qualquer capacidade de inferir uma opinião fundamentada sobre os acontecimentos que nos rodeiam.


02
Out 12
publicado por Moscardo, às 20:00link do post | comentar
   No brutal Tratado de Versalhes, os vencedores regozijam-se vergonhosamente com o espólio dos vencidos. Na obra As Consequências Económicas da Paz, de 1919, Keynes escreve:

A vida futura na Europa não lhes interessava; os respectivos meios de vida não eram o que os deixava mais ansiosos. As suas preocupações, tanto as boas como as más, diziam respeito a fronteiras e nacionalidades, ao equilíbrio de poder e ao engrandecimento dos impérios, ao futuro enfraquecimento de um inimigo forte e perigoso, à vingança e à deslocação por parte dos vencedores do insuportável peso financeiro para os ombros dos vencidos.

   O velho continente, que tantas guerras fomentou ao longo dos séculos, devia, hoje, ser um farol para a Humanidade. As circunstâncias mudaram, a falta de solidariedade mantém-se, e o futuro é uma incógnita.

02
Set 12
publicado por Moscardo, às 20:00link do post | comentar

   Finda a manobra de diversão protagonizada pelo "consultor para as privatizações", é importante esclarecer algumas questões:

  • O serviço público de televisão deve ser assegurado por uma empresa pública. Atribuir a gestão desse serviço a uma empresa privada é, com grande probabilidade, torná-lo uma simples máquina de propaganda corporativa, que terá em vista apenas o factor receita; 
  • A proposta de concessão pode ser considerada inconstitucional; 
  • A questão da sustentabilidade económica não é credível, uma vez que o Plano de Sustentabilidade Económica-Financeira apresentado pela administração demissionária da RTP previa que, a partir de 2013, o Estado deixasse de subsidiar a empresa através da indemnização compensatória;
  • O pagamento de uma taxa do audiovisual para uma entidade privada é, no mínimo, obscena; 
  • A existência decana da RTP, se criticável nalgumas opções estruturais e de programação, teve um papel fundamental para a afirmação da democracia e divulgação cultural em Portugal e nas comunidades emigrantes; 
  • O Governo não pode, como é hábito, desculpar-se com o acordo estabelecido com a troika, uma vez que esta questão nem sequer foi abordada. Na verdade, sugere que este tema será importante apenas para o ministro adjunto e dos assuntos parlamentares.

 

   Resta aguardar a decisão do Governo, que num pequeno teste traiçoeiro, quis medir o quão fracturante é o tema, para agora tomar uma decisão sobre algo que desconhecia e continua a desconhecer.


25
Ago 12
publicado por Moscardo, às 18:00link do post | comentar | ver comentários (2)

   Onde o dinheiro é tempo, onde a vida é demasiado contemporânea, onde tudo é medido, onde a realidade é vista pela janela de uma limousine, onde o futuro é o nada...

 


26
Jul 12
publicado por Moscardo, às 22:00link do post | comentar

   Em curta entrevista à Visão, Diogo Infante fala-nos da peça Preocupo-me, Logo Existo!, um regresso ao universo de Eric Bogosian, que está em cena no Cinema São Jorge, em Lisboa.

 

Nós, de facto, preocupamo-nos pouco - logo, existimos pouco. A última personagem é um homem comum que tenta legitimar a sua existência numa sociedade que nos impõe modelos de funcionamento que acabamos por adoptar como nossos, sem os questionar.

 

   De facto, é uma existência ligeira. Mas por nos preocuparmos pouco ou por apenas nos preocuparmos?


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